Vida real

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Nos acostumamos a pensar que a vida é o Facebook. Afinal, tudo por ali passa, o dia de hoje e as memórias, feito arquivo em real-time. E, apesar da rede ter se difundido há apenas pouco mais de cinco anos no Brasil, ela ganhou o espaço de todos nós numa dimensão que a internet nunca tinha alcançado antes. Claro que, hoje, diferente de um tempinho atrás, não separamos mais o mundo on e off-line. E, assim, também não nos parece mais fazer sentido perguntas como “quanto tempo você passa no computador?” se estamos grudados no celular o dia inteiro. Enquanto conversamos aqui, esteja você me lendo na revista ou depois no blog, estamos vivendo pensamento e emoções em carne e osso, tudo junto, a mesma coisa.

O que me pergunto, volta e meia, é se a nossa vida real não virou só vida social. Não que seja um problema grave: depende do que queremos, do que representa a felicidade para cada um. É feliz passando horas no FB? Bem, então, que seja, relaxe, entregue-se. Mas, acontece comigo, e talvez com você, de entrar para dar uma espiadinha (motivada pelas atualizações incessantes que nos chegam a cada instante) e, de repente, me encontro por horas afundada na página, respondendo às mensagens dos amigos, curtindo, comentando, compartilhando, postando freneticamente comentários e pequenas histórias, fuçando a vida de um e de outro. Não que este assunto seja novo. Mas sempre vale um novo alerta: se você, como eu, passa mais tempo na rede no modo automático do que no prazer de entrar por escolha consciente, do tipo “vou lá ver a Gabi que está de aniversário”, então, talvez, a vida social tenha engolido a sua vida real.

É quanto a gente perde o limite saudável, passando um tempo online muito superior ao que curtirmos ao ar livre, que, talvez, esta história de separar um do outro (on X off-line) talvez ainda faça sentido, contradizendo o que falei logo acima. Mais do que separar: coexistir é o maior desafio. Porque enquanto jantamos/comemos/conversamos estamos vidrados nas telas tão viciantes. Esta característica que já nos pertence, aquela da criança que nasce trocando o vídeo no Youtube, é a perigosa tentação do “eu posso tudo ao mesmo tempo”. A Annie, aqui, se iludiu com ela: quantas falas eu perdi, entre aulas e reuniões, por estar com a cabeça não no mundo da lua, mas no mundo do Mark Zuckerberg. Na vida real, a gente vive pele com pele, olha no olho, beijo na boca, abraço apertado. Na vida social, o tempo passa mais devagar. Com atenção aos detalhes. Foco no momento. Por isso, precisamos dela. Quente, intensa, vida que pulsa. O nosso dia a dia não basta atrás das telas. Precisamos ser seus protagonistas, puxando a frente, apresentando a programação, atuando de forma completa.

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