Sobre ver o outros

2017 02 Sobre ver o outros

 

             O mais legal de viver é que a gente vai crescendo não só na idade, mas também na nossa forma de pensar, de encarar a vida, de aceitar os outros. E tem uma coisa que eu descobri na década dos meus vinte aninhos e gostaria de compartilhar hoje com vocês, minhas atentas leitoras (na verdade, descobri muitas coisas, mas a que eu vou contar hoje é uma das principais). O que eu descobri é fácil de entender, mas difícil de aplicar. É tão parte natural da vida que, se fosse simples, seria a solução do mundo. A descoberta, então, é que a gente acha que se importa com os outros, que faz um monte pelas amigas, pelos pais, pelo mundo, mas a verdade é que sempre podemos fazer um pouco mais.

Bem, não é lá uma descoberta superdivertida, incrível, U-AU. É papo cabeça, na verdade. Mas, quando eu olho para trás, vejo que poderia ter investido mais um tempo, naquele dia X, para uma conversa Y com a pessoa Z. E que esse XYZ formariam, juntos, uma determinada experiência. Uma experiência maior. Independente da matemática e das fórmulas que usamos ao longo dos nossos dias, o que eu coloco é a possibilidade de nos relacionamos melhor com os outros. Sabemos que existe uma só vida, mas, no entanto, fazemos muitas besteiras no lugar de viver momentos valiosos. Aqueles conselhos de quem é mais velho, como o seu avô, são sempre os mais sábios. O principal deles, que é um valor universal: dedique-se a quem você ama. A recompensa é o amor recíproco. Gosto de pensar em amarmos como amam os animais. Quem tem um em casa sabe: faça o dia que for, nos oferecem carinho em abundância. Seja a pessoa que o seu cachorro acha que você é. Essa última frase eu li em um quadrinho por aí e achei mais do que verdadeira: poderosa! O seu cachorro te acha a pessoa mais incrível do planeta, livre de maldade e só cheia de boas intenções. Intencione-se ao bem. Todo dia. A cada dia. Por todos. Meu lema 2017: ser gentil. Se os adesivos colados nos carros por aí, escritos gentileza gera gentileza fossem levados a sério, a descoberta lá de cima seria uma prática comum. Mas, antes de colocar a mão na massa, é preciso aprender a sua receita. Primeiro de tudo: veja o outro. Conscientize-se, em cada ação: aqui do meu lado mora alguém diferente de mim. Na sala de aula, no trânsito, onde for. Eu coexisto. Eu existo junto. Nunca separado. Por isso, a tolerância. Só ela gera gentileza. O primeiro passo pelo recomeço: tolerar o outro. Para depois conviver. Até amar.  Por favor, 2017. Seja assim.

Sempre julguei muito. Sempre me importei, também, como me julgavam. E, de repente, feito um clique na tecla enter do teclado (o mesmo teclado onde redijo essas palavras), eu entendi. Mudei. O enter num texto representa um novo parágrafo. E um novo parágrafo pode abrir, se assim quisermos, uma nova história. Não é possível reescrever os nossos dias. A maior incógnita da vida é que não sabemos o que ela poderia ter sido. Ela é, somente é. Agora. Mas, podemos escrever novos parágrafos. Deixar de se importar com as pequenezas. Nos tornarmos superiores – sempre em relação ao ser e não ao outro. Tolerar.

Comece o segundo mês do ano pensando no que vale a pena. E, antes de tudo, vale a pena se dedicar ao outro. Um minuto a mais e você beija a mãe antes de sair. Uns minutos extras e você reflete antes de falar. Para antes de agir. Doa. Desenvolve a consciência do outro: ele está sempre ali. Ele pode ser nosso inferno ou nosso paraíso. Escolher o primeiro é fácil. O segundo é um exercício insistente e, ao mesmo tempo, revelador. Só no paraíso encontraremos a leveza. Concluo com um pensamento que pipocou no meu Feed do Facebook. Está em espanhol (que tal evoluirmos também no quesito idiomas?).

 

No te enojes.

A veces el otro no entende.

Lo explicaste mil veces, pero no lo ve.

No es tonto. No es malo. No es indiferente. Es otro.

 

Por favor, 2017, nos faça mais gentis, tolerantes e dedicados. Ao outro. Que é um de nós.

 

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