Geração Snap

Snapchat 1

Que a vida passa rápido, a gente só descobre vivendo. Ou, agora, criando Snaps. Porque o Snapchat é a prova real dos nossos dias alucinados: tudo passa, tudo voa, e 24 horas depois o mundo mudou.

Não fui uma adolescente que mudava toda hora. Cabelo colorido, tatuagem escondida – esse tipo de rebeldia. O máximo da minha foi o piercing no umbigo, depois da Gisele Bündchen lançar a moda. Eu tive de borboleta e estrela. Adoro borboletas e estrelas. E corações. Menina-mulher e seus símbolos óbvios, é verdade.

Tem pessoas, sejam elas adolescentes ou adultas, que precisam mudar mais. Mudar muito. Por quê? Sempre me perguntei, achando que tinha algo errado comigo. Normalidade sem graça! Medrosa! Falta criatividade, Annie! – entonava em segredo. E, feito doses pequeninas de ousadia, experimentava uma peça de roupa que ninguém tinha usado, trocava de estilo de música e de esporte preferido. De garotos, também: as paixões, sim, mudavam toda hora.

Quando entrei na faculdade de comunicação, piorou: precisava ser diferente. Ousar no look para, pelo menos, parecer criativa. Era o que eu achava. Era o que eu não era.   

Precisamos ser o que somos. Essa é conclusão mais séria a qual já cheguei. No meu mês de aniversário, fico assim pensativa: estou sendo quem sou? Estou vivendo o que desejo viver? Ano após ano, desde os meus 14, reflito em excesso. Não é papo de quem vira uma década. É a cabeça de quem sempre pensou até os neurônios desistirem.

Acredite: melhor pensar a mais do que de menos. Estou sempre com sede de pensar. É quase um verbo no gerúndio esse meu estado mental. E não é pensando que a gente se entende? E também lendo, conversando, ouvindo, compartilhando, escrevendo, gravando.

Entrei no Snapchat por isso – para saciar um pouco da sede. Porque, se o Snap falasse e fosse uma garota, diria bem assim: piscou o olho, perdeu a oportunidade, amiga. O mundo é agora, o mundo é urgente, em real-time. Por isso mesmo, a palavra snap. Estalo, em português. Piscou, passou.  

Mas, enquanto algumas coisas passam, outras ficam. E, então, descobri que não é a camiseta divertida que vai me fazer mais criativa. São, sim, as minhas ideias. Que não é o cabelo colorido que me faz rebelde, mas a capacidade crítica de me rebelar quando está errado. Que não é sobre mostrar – é sobre ser.

Ser. Pequena palavrinha. Poderosa palavrinha. Seja a mudança que deseja ver no mundo, deixou Gandhi. E você, o que quer deixar, além de um monte de snaps para trás?

Annie Müller – 03.11.15

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