Femininas e feministas

2017 05 Coluna Femininas e feministas

O tema está em alta. Demorou, mas veio para ficar. As mulheres e suas vozes. As mulheres e sua liberdade. As mulheres sendo mulheres, com as alegrias e as frustrações, mas, finalmente, com maior espaço para atuar num mundo que sempre foi tão masculino.

 

Eu sou uma mulher de sorte. Na minha família, à minha volta, o machismo nunca imperou. Meu pai é o meu maior exemplo em favor da igualdade de gênero. Nunca se discutiu, em casa, o que uma mulher poderia ou não fazer. Nunca se permitiu ou restringiu alguma ação. Simplesmente as oportunidades e os acessos sempre foram iguais – sendo eu filha menina e meu irmão garoto, sendo minha mãe quem é – uma líder incansável e páreo duro com o meu pai. Então, é difícil eu entender o tamanho do problema. Não o sinto na pele, e quando sentimos na pele, tudo fica mais compreensível (e muito mais dolorido, verdade). No entanto, em qualquer canto do nosso país, as provas machistas se dão diariamente: mulheres recebem cantadas agressivas e são violentadas. Ainda hoje, os salários são 30% menores do que os homens em funções profissionais semelhantes.

 

Quando eu tinha 14 anos, representei a minha escola na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, estado onde nasci e resido. A nossa tarefa foi criar e defender um projeto de lei na Câmara dos deputados. Propomos uma estação de segurança nos bairros contra o abuso feminino. Foi a primeira vez que pensei e agi a favor do assunto. Passaram-se 15 anos e o Brasil evoluiu um pouco, mas o sofrimento das vítimas continua aí, estampado nos números que compartilhamos nas redes sociais. O problema é o brasileiro. O problema são as pessoas. Precisamos, ainda, atravessar a linha de discriminação em todos os âmbitos.

 

O que me parece pegar, no meio disso tudo, é o comportamento do dia a dia, uma amostra pequena para esta causa grande: coisa legal um homem estar no Tinder. Coisa de galinha a mulher exibida como um prato no menu. Sim, diversas bocas bestas falam isso (femininas e masculinas).

 

Com uma crônica não se faz história, mas com palavras pensadas antes de serem ditas, sim. Podemos reproduzir a igualdade a começar pelos nossos pensamentos. A minha bandeira é a seguinte: ser feminista sem deixar de ser feminina (um desafio muito sensível). Afinal, não somos iguais, mas temos os mesmos direitos. Quem tá junto?

 

 

 

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