Amigas Pulgas

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Acho que nasci com pulgas. Aquele bichinho que volta e meia o seu pet tem. Aquele que faz com que a Mel, minha irmã canina, se coce em rebuliço, coitadinha!

Estou sempre com pulgas atrás da orelha. Com perguntas sem respostas, com vontades sem saciar, com mais ideias do que dias no calendário.

Cães com pulgas? Nós mandamos ao veterinário para matar o bichoso e o nervosismo. Pessoas com pulgas? Devemos fazer o contrário: alimentar para continuarem curiosas. Porque pulga, como usamos na língua popular brasileira, é sinônimo de algo que nos tira o sono, bom ou ruim. Na sua maioria, são pulguinhas prazerosas, que nos levam adiante.

Quem não tem pulgas não evolui, pausa no tempo e na preguiça. É um ser médio, quando fomos criados para voar alto. Os atletas olímpicos (em 2016 poderemos assisti-los ao vivo no Rio de Janeiro!) são a prova real de que nascemos para o movimento. Nosso corpo é ilimitado se dermos chances para ele progredir.

Assim também é a mente humana. Quem não se impressiona com a história de um grande líder como Nelson Mandela ou Steve Jobs? Eles desafiaram a própria humanidade – e nós assistimos boquiabertos aos filmes sobre suas vidas, como se mostrassem super-heróis da ficção. Haja pulga!

As crianças parecem feitas de milhares delas. Observe: não existe dia sem pergunta na vida de uma pessoinha aos três anos. Ou sem tocar um objeto novo. Crianças são assim. E vão entendendo o mundo. No seu mês de outubro, convido as nossas pulguinhas a invadirem mente e corpo, movimentando um e outro até a experimentação.

Enquanto um professor na faculdade me disse para focar no que eu desejava ser, as pulgas me diziam para estudar jornalismo, publicidade e psicologia. Tudo ao mesmo tempo. Elas que, na adolescência, estavam presentes em todas as minhas tentativas, apoiadas pelos meus pais também pulguentos. Em algumas eu fracassava, noutras eu persistia. Foi com essa forma experimentadora de aprender que tentei vôlei e basquete (do alto dos meus 1,60 metros), futebol (apesar do medo da bola), salto em distância e altura, ballet, jazz e dança contemporânea, yoga e corrida. Por enquanto, fiquei com os últimos dois. E você, em qual esporte se arrisca para encontrar o que mais a diverte, hein?

Pulguinhas divertem. Coçam, é verdade. Mas nos levantam do sofá para ver o mundo lá fora – o que tem tudo a ver com descobrir o nosso mundo de dentro.

No banheiro, tenho pendurada uma plaquinha com a frase de Carl Gustav Jung, que diz: “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”. Façamos os dois. E jamais matemos as queridas pulguinhas.

Annie Müller – 15.09.2015

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