Mês: agosto 2015

34ª Feira do Livro de Estância Velha

Nesta segunda-feira (17) inicia a 34ª edição da Feira do Livro de Estância Velha, com uma extensa e diversificada programação, para contemplar todos os gostos. Segue, para você, tudo o que ocorrerá nesta semana mágica das letras, as atividades ocorrerão no PAM, PAC e na Praça 1º de Maio.

Venha assistir a minha palestra que será no dia 21 de agosto às 9h da manhã e às 15h da tarde, espero por vocês! :)

Programação completa:

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Mais Wows, menos Whats

A gente vive reclamando dele: falta tempo para eu estudar, mãe. Nem consigo mais ficar com as amigas.

Como vou ter namorado?

Não tenho tempo pra nada.

Por outro lado, quando sentimos que ele está a nosso favor, a gente também canta em agradecimento: que tempo bom que não volta nunca mais!

Eu acho o tempo o objeto de estudo mais fascinante do mundo. Pense só: nunca iremos compreendê-lo e dependemos dele. Todo dia, toda hora. O poeta Quintana declamou: amigos, não consultem os relógios. Mas assim a gente passa: contando os últimos minutos para a aula acabar e os segundos até a festa começar. Entre expectativas por vir e outras a serem criadas. Entre o desejo de completar dezoito anos e o de voltar aos quinze. Entre as alegrias intensas de uma noite que não parecia ter fim e a frustração de ter passado.

Já fui noiva e posso explicar: o sonho de (quase) toda garota é casar lindona de branco. A gente espera pelo big day e, tão de repente quanto chegou, ele se foi. No dia seguinte, a frustração. Segundo o Everton, meu fotógrafo (sim, noivas têm direito a ser celebridade por algumas horas), a festa de casamento é, na verdade, a data mais triste para a noiva. A noite onde tudo termina. Mas não precisamos chorar. Ficam as fotos, as mensagens, o vídeo romântico e os os wows!, gritos de alegria em nossos corações

Um dia citei Dostoiévski para a minha vó, toda me achando porque o li: “um minuto inteiro de felicidade! Não será isso o bastante para preencher toda a vida de um homem!”. Ela me olhou intrigada: será mesmo? Apenas um minuto? Eu argumentei, mas, à beira de uma doença, ela nada disse.

Desconfio de que ela discordava. E, lá dentro, pensava ser necessário muitos outros minutos de felicidade.

O tempo parece estar passando mais rápido e o principal motivo é óbvio: estamos fazendo milhares de coisas nunca feitas antes E cada uma delas junto às telas, à internet, às conversinhas no WhatsApp.

Sim, ele é divertido. Os grupos nos fazem felizes com seus memes e vídeos. Mas também é verdade que viciou. Nossa ansiedade ficou toda concentrada ali. E eu também sou vítima. Quem não?

Embora o tempo soe infinito, ele é mortal. Tão perecível quanto as conversas do Whats que ficam para trás quando entra nova notificação.

Tem uma música da Maria Gadu que conclui bem sobre ele, nosso aliado, numa melodia tão bela quanto sua poesia (vale ouvir).

Por seres tão inventivo

E pareceres contínuo

Tempo tempo tempo tempo

És um dos deuses mais lindos

Tempo tempo tempo tempo

Então, vamos viver mais Wows​ ​de alegrias ao invés de escrever enxurradas de WhatsApp? O tempo agradece.

Annie Müller – 02.07.2015